Viver com arte

Não tem nada mais bobo e, ao mesmo tempo, mais legal do que fazer aniversário. Bobo porque, mesmo que não admita, basta começar o mês do seu aniversário que você já está esperando ele chegar. Também é preciso admitir que dar/receber parabéns é uma coisa bem desconfortável. Por outro lado, é o tempo perfeito para repensar a vida e como você tem aproveitado cada dia. É melhor do que ano novo, porque é (em tese) só seu.

Não saberia o que escrever neste dia. Por sorte, escrevi há um tempo atrás um texto para concorrer a uma vaga. Era um texto livre. Não é do tipo que se escreve para um possível empregador, mas vale o registro. Ela é a prova cabal de que eu sempre quis – e continuo querendo – viver com arte.

Não sei bem o motivo, mas quando me pedem para escrever sobre algo de que gosto me vem arte na cabeça. Como se já não fosse cruel o suficiente ter de escrever sobre qualquer coisa – qualquer coisa num mundo lotado de assuntos –, fica a escolha baseada em estranhos fatos da minha vida, os quais basicamente me tornam quem sou.

Talvez a ideia aqui seja falar sobre algum assunto de forma mais formal, para que um revisor mais atento se sinta à vontade para criticar aspectos normativos da Língua Portuguesa nesse texto. Se for esse o caso, já me dei mal desde o começo. Mas como não me foi especificado se o texto deveria ser uma dissertação, uma narrativa, um poema ou até uma crônica, sinto-me mais à vontade para não ser tão purista.

Pois bem, Arte. A minha relação com essa palavra aí começou ainda muito cedo. Na infância, para ser mais precisa. Já contei essa estória a muitos amigos. Eu brincava na biblioteca do meu pai, quando criança, ao lado de muitos livros – inclusive de artes –, de uma vitrola com discos do Elvis e de algumas reproduções de obras importantes. Conheço a Mona Lisa desde aquela época e ela sorria para mim todo santo dia, como se me observasse. Eu costumo dizer que aquela foi a melhor época da minha vida. Não que não tenha tido outras épocas de que gostei muito, mas a infância guarda um sabor de nostalgia que a gente sempre vai sentir. 

Desde então, passei a querer aprender a tocar instrumentos, a cantar. Ou ser atriz (afinal, o Elvis era casado com uma atriz, tinha de haver alguma coisa especial nessa profissão). E durante a minha pequena jornada, busquei realizar esses desejos todos e, apesar de não ser nenhum prodígio, sempre enganei bem. A verdade é que poder trabalhar com arte é uma das coisas que sempre quis fazer pela minha vida. Mas ela, a Vida, não torna as coisas tão simples como a gente gostaria. Fui fazer Letras, porque pretendia ficar mais perto das Artes. Fui feliz no meu intento e acho que trabalhar com texto é meio como ser artista. E, obviamente, não é fácil, como nada é.

Esse texto, por exemplo, nem tem um foco apenas e já me deu um trabalhão. O maior deles foi manter a concentração num dia longo de trabalho em que levei parte desse trabalho para fazer em casa. O que me faz admitir que escrever é uma questão técnica. Não só de inspiração vive o homem, mas existe um trabalho apurado a se fazer, apesar do cansaço que você possa estar sentindo. O resultado é algo muito parecido com arte, embora nem todos o enxerguem assim.

Obviamente, não estou querendo convencer ninguém de que esse texto é um objeto artístico. Apesar de que definir o que é arte e o que não é não é tão simples. O fato é que me sinto bem quando escrevo, ainda que não seja fácil. E se puder trabalhar com algo que me proporcione escrever muito, vou achar que a minha vida tem assim um pouquinho de Arte. 

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2 comentários em “Viver com arte

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