Caminho sem volta

Eu lembro de ter estragado o livro da escola. Aquele que a professora mandou encapar e cuidar bem para que durasse o ano todo. Mas o uso ou talvez o meu descaso natural fizeram com que as folhas se soltassem. Aos poucos, o livro que era novo me pareceu velho, com as folhas todas se perdendo pela casa. Eu me preocupei e recorri à mãe, que me deu a solução: “Sua avó pode costurar o livro”.

Costurar o livro. Me encantei por unir as páginas do livro por meio de um processo tão arcaico quanto a costura. O conhecimento sendo entrelaçado pela costura de minha avó. Era o fio de Ariadne marcando um caminho que, em meu caso, não teria volta. O texto (re-) construído pelas agulhas de minha avó. Cada ponto entrelaçando ideias. Reconstruindo fatos.

Era eu sendo salva pelas linhas para me trancafiar definitivamente entre o fio e as páginas do livro. Caminho sem volta.

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