Na pele

A primeira vez que ouvi falar de Frida Kahlo foi em uma aula da faculdade. Ela nem estava na moda, naquela época. Lembro de sentir dor física ao ver seus autorretratos. Quando voltei para casa, escrevi um poema a respeito. Sempre que penso nele, chamo-o de “o último”, porque, depois dele, não me lembro de ter escrito nenhum outro poema.

Semana passada, fiz a segunda tatuagem. Confesso que doeu mais do que esperava, mas, como previu o tatuador, isso fez com que eu gostasse ainda mais do desenho. Porque ele não só era exatamente o que eu queria, mas porque enfrentei a dor para tê-lo marcado na pele.

No dia seguinte à sessão de tatuagem, escrevi um poema sobre dor e arte. Sobre como existe uma espécie de encadeamento essencial entre as duas coisas. Sobre como elas estão tão intimamente ligadas que, quando temos contato com uma obra de arte, somos capazes de sentir na pele, tanto quanto durante uma sessão de tatuagem.

 

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