Uma ova, “Fred”

Tem uma cena ótima em Breakfast at Tiffany’s. Uma mulher, no meio da bagunça que eram as festas da Holly, bebe diante de um espelho e ri, como se conversasse com outra pessoa. Um pouco mais tarde, na mesma festa, a mulher aparece chorando diante do espelho, como se compartilhasse suas mazelas com um interlocutor. Essa cena me lembra muito uma de How I Met Your Mother, em que o Marshall, estando em uma boate, depois de muitos drinks, começa a flertar consigo mesmo diante de um espelho.

Eu acho que isso resume bem o lance com o álcool. Por mais que a gente costume beber em grupo e que a bebida tenha a capacidade de nos deixar mais sociáveis, penso que é uma atividade bastante solitária. Você bebe para se sentir melhor ou para entrar na bad de uma vez. Mas, é você com você mesmo.

Em eventos sociais chatíssimos sempre somos salvos pela bebida. E, eventualmente, pelo cigarro. O cigarro é quase que totalmente antissocial, porque as pessoas que não fumam buscam uma distância segura de suas baforadas e, geralmente, a gente sai para fumar com o pretexto de não importuná-las.

A minha primeira impressão do final de Breafkast at Tiffany’s foi uma certa decepção. De jeito nenhum aquela mulher se casaria com aquele cara, ainda mais depois daquele papinho de que as pessoas se pertencem. Uma ova, “Fred”. Alguém que tem coragem de abandonar o próprio animal de estimação, que por sinal nem tinha nome que era pra evitar apegos, não poderia ser a pessoa que busca salvação por meio do amor romântico. Não a Holly.

Mas, depois, pensei por outro lado. A chance dela ter optado por uma saída segura, em vista da falta de perspectivas na qual se encontrava, é enorme. E a gente tem que considerar que ela toma a decisão de ficar com o “Fred” depois que ele entrega o anel gravado na Tiffany. A loja era o que lhe remetia a uma espécie de lar. Pelo menos é o que ela diz no início. Segurança, né. (Alguém precisa contar a ela sobre o quanto a profissão de escritor é imprevisível.).

No fim, o “Fred” era não só a única alternativa da Holly, mas também um cara legal com quem ela gostava de sair e encher a cara. Não dá nem para julgá-la, porque acho que a gente sempre acaba se casando com o cara legal, que tope dividir as contas e que só te leve para casa quando você estiver bem bêbada.

Se a Robin de HIMYM estivesse na mesma situação que a Holly, provavelmente teria se casado com o Ted na primeira oportunidade. Mas, a Robin era uma mulher independente, a Holly dependia dos caras que pagavam 50 conto para que ela fosse ao toalete. Ou seja, nos dois casos, os casamentos me parecem fadados ao fracasso. Por isso, acho a Robin bastante inteligente. Ela claramente gostava do Ted, mas não se via casada com ele, com filhos e tal. Portanto, achou melhor deixar para lá. Já a Holly, quando se der conta de que suas expectativas sobre a própria vida mudaram – porque isso sempre acontecia com ela, convenhamos – e que o “Fred” também era o cara que dependia das mulheres com quem saía, tem toda a chance de pular fora no próximo táxi em direção à Tiffany. Ou irá escolher o álcool como salvação.

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