De passagem

Não gosto de finais. Em parte, porque não acredito em rupturas; dois tecidos que se dilaceram serão sempre parte de alguma coisa que não existe mais. Mas, o que eu acho terrível mesmo é aquele momento que prenuncia o final. Aquele segundo de ruído surdo que antecipa a pancada. Aquele átimo em que quase nos sentimos livres do susto, em que se encaixa uma forma vazia de esperança. Aquela iminência de que se abra uma fresta de dor que, sabemos, se avizinha e sobre a qual não temos controle. Aquele minuto que se antecipa à vertigem que nos coloca diante dos olhos vazados da realidade.

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