Não tem hora pra acabar

É válido constatar que apesar de todo o seu empenho para impedir o fim das coisas, ele sempre vem. Acompanhado ou não de um belo soco no estômago. Mas, em geral, vem surdo, como quando a gente tenta gritar e a voz não sai.

O fim, que também é o começo, para muitos, não acaba num instante exato, como seria de nosso gosto. Não se coloca na agenda, sequer pode ser localizado no calendário da porta da geladeira do mesmo jeito que se define o início da dieta ou se controla o ciclo.

O fim passa correndo, chega a esbarrar no ombro e você não lhe reconhece os traços. Ele chega desavisado e se instala como uma doença silenciosa que aos poucos toma conta de todas as células. Aloja-se nas entranhas como um tipo de hospedeiro que usufrui da matéria até que nada mais lhe sirva. Algum dia você tem de lidar com ele, mas quando esse dia chega, nem está mais lá.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s