Duas notas sobre nudez

#1

É curioso como essas ideias pretensamente moralistas invadem a discussão pública como rastilho de pólvora. Os museus estão expondo obras com pessoas nuas e em franco bacanal há anos e até ontem ninguém ligava para isso.

Quem frequenta museus, peças de teatro, lê livros, enfim, vive, lida com a nudez, seja ela sexualizada ou não há muito tempo. Os demais, estavam bem confortáveis vendo pornografia às escondidas, antes da polêmica.

#2

As pessoas adoram abraçar essas causas indiscutíveis, porém vazias. É muito bonito defender a Amazônia, os gays, como se fossem pautas completamente desconectadas de pautas maiores que, por sua vez, estão imbuídas de ideologias.

Basta alguém alegar que há indício de pedofilia em uma obra de arte para o primeiro cretino levantar a mão e se mostrar defensor da moral e dos bons costumes. Ter um homem nu a poucos metros de distância parece uma ofensa, se relacionado à pedofilia.

Qualquer pessoa com um pouco de consciência é capaz de ser contra a pedofilia. Mas muito pouca gente é capaz de reconhecer onde não há pedofilia. Ou seja, sem pensar muito estão lá abraçando um causa que nem existe (ou melhor, existe, sim, só que em outro contexto).

 

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