Quando me aporrinhes

Tenho pra mim que uma pessoa distraída é uma pessoa apegada aos objetos de seu desejo. Ela se afeiçoa a determinada imagem e nada que lhe aconteça que esteja alheio à tal imagem vai parecer interessante ou tão interessante quanto.

Eu, por exemplo, quando encontro alguém que fala demais, não consigo manter a concentração por muito tempo, ainda mais se o assunto não for minimamente de meu interesse. É necessário um esforço imenso de minha parte para não pegar no sono ou não viajar em ideias completamente aleatórias.

Hoje fui à veterinária do Joaquim, uma mulher que fala pelos cotovelos, conta histórias variadas e infinitas, estendendo, portanto, as consultas até o limite da paciência. Enquanto ela falava, porém, meu cérebro se apegou à primeira imagem que ecoou na minha mente, e não era uma imagem qualquer, era a imagem de mim mesma transando.

A mulher falando sobre leishmaniose e eu me imaginando em um quarto qualquer, de quatro, trepando fortemente com um qualquer – tinha alguém ali comigo, mas eu sequer sabia quem era – e acho que isso não importava. Penso que fora o único recurso possível para que meu cérebro não desligasse. Duro era o esforço para não revelar meus pensamentos impuros via expressão facial.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s