Sinônimos e pincéis de maquiagem

A coisa que eu mais gosto sobre maquiagem é que não dura para sempre. É muita liberdade isso de mudar uma coisa ou outra na própria aparência e depois voltar ao seu rosto original.

Meus conhecimentos nessa área são modestos. Basicamente, sei preparar pele, aplicar base, fazer um contorno bem simples, passar batom. Sei aplicar o rímel muito bem, preciso admitir. Delinear porcamente. Sombra é uma coisa que não me entra na cabeça, digo no olho; nunca manjei a aplicação. Corretivo é sinônimo de dignidade para mim. Fecho tudo com pó. Só.

Minha vontade sempre foi ter dinheiro pra poder ter uma pele bonita e nunca precisar me maquiar. Nisso, a gente já entende que confunde maquiagem com beleza, como se fosse ela a responsável por nos tornar apresentáveis para o mundo. E isso é um horror, claro. Esses dias, fiquei acompanhando uma pessoa de que gosto muito fazendo tratamentos estéticos e me dei conta de uma coisa: tentar rejuvenescer é a coisa mais patética do mundo.

Trata-se de uma mulher muito bonita. Vi uma foto dela, após uma sessão não sei de quê e fiquei amedrontada. É preciso considerar que ela havia acabado de fazer o tratamento, claro, mas a pele estava toda esticada e estranhamente jovem. Jovem de um jeito falso, plástico – acho que essa é a palavra.

Eu sei que envelhecer não é nada fácil, sobretudo para a mulher (muito embora, acho que a gente pensa mais nisso do que os homens e, nesse caso, acaba conseguindo lidar melhor com o inevitável). Me vejo tendo crises em situações nas quais meu corpo não responde da maneira com que sempre respondeu. Antigamente, eu era a menina sedentária que, ainda assim, conseguia escalar árvores, era mais flexível do que a média. No ballet, era a única que abria um spacat. Mais recentemente, me tornei a tia sedentária que tentou fazer aulas de circo e sequer deu conta de subir no tecido.

Gosto de saber que meu rosto mudou, porque, inclusive, eu mudei. Seria estranho ver o rosto da Bruna de antes como porta voz de uma Bruna totalmente diferente, que é a de hoje. Gosto, também, de saber que a de amanhã vai ter outras nuances que, hoje, não existem. Quando quero me ver um pouco diferente, recorro à maquiagem. Ainda que use sempre a mesma maquiagem.

Se eu vou continuar pensando assim nos próximos anos, não sei. Por ora, continuo achando mais bonitas as mulheres que têm a cara da idade que têm. O que não significa, é claro, que não aprecio quando me dizem que pareço mais jovem do que sou. Lá no íntimo, acho que dizem isso como sinônimo de que sou bonita e não porque de fato me vêem mais jovem. Não sei quem inventou que juventude é sinônimo de beleza. Sugiro que parem com isso.

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