Quando eu comecei a ler “Meu ano de descanso e relaxamento” da Otessa Moshfegh, não entendia o que fazia uma pessoa se recusar à vida, retirar-se da vida, ainda que ela não tenha se decidido pela morte, mas por uma pausa breve e calculada de sono quase ininterrupto. Me perguntava se havia nisso uma forma de anestesia da realidade ou se era mais um capricho de uma menina cheia de privilégios, entre eles o de não trabalhar em um período de tempo. Neste momento, optei por reler o livro e, não importa muito a minha leitura de quem é a personagem. O fato é que, neste exato momento, o que eu mais queria era fazer uma pausa, poder pausar esse instante da minha vida como quando a gente pausava o VHS pra terminar de ver o filme mais tarde. Um breve stop faria maravilhas por mim, talvez até por todos nós. Sempre tem alguém que vá enaltecer o valor da experiência diante da afirmação da necessidade da pausa. Mas eu realmente não queria ter de viver o que estamos prestes a viver.

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