Nikki Hill, Feline Roots

É sempre uma chateação, a coisa da comparação. Mas se isso convencer você a ouvir Nikki Hill, aí vai: já foi considerada a nova Aretha Franklin e foi comparada à Etta James. A melhor comparação, no entanto, veio da Minneapolis Star-Tribune: “If Tina Turner and Little Richard had a daughter and raised her with the…

Tulipa Ruiz, o acerto e o desconcerto

Desde o primeiro álbum, Tulipa chegou chegando, mas também pudera. Ela vem de família de músicos e estudou canto lírico por 5 anos na adolescência. Na faculdade, cantou na noite acompanhando grupos musicais diversos. Ou seja, ela já começou cheia de bagagem. Tulipa canta, compõe e desenha. Além de “Efêmera”, o primeiro disco, com o…

Betty Davis, Nasty Gal

Quando ouvi Betty Davis pela primeira vez, corri para a internet para procurar o que diziam suas letras, já que meu inglês mal falado me impedia de compreendê-las. Não encontrei quase nada. Apesar da barreira linguística, o conteúdo de suas músicas, o que elas significam quando você sente o groove, ouve as guitarras pesadas e…

A mulher atrás da porta

As tardes às vezes demoram demais a passar. E faz meses que eu procuro as palavras que descrevam a sensação do calor que consome as horas de trabalho. “As tardes queimam em horas…”. Procurar a palavra certa é um erro, mas é um belo dum exercício. Digo que é um erro, pois, como diz o…

A sorte de ter decisões a tomar

Não tem graça nenhuma considerar Don Drapper seu personagem favorito. Tudo nele faz a gente ter sentimentos contraditórios, o que já é uma forma contraditória de fazer o espectador adorar odiá-lo.  Eu sei, estou muitos anos atrasada na redação deste texto. Quem viu Mad Men, viu e já tem suas próprias ideias sobre a série….

Da coxia

Penso que as histórias da coxia são mais interessantes do que qualquer peripécia que aconteça no palco. Se há magia no palco, a mim me parece ainda mais mágico aquele ponto em que se divide real e imaginário. A linha entre os dois tem o tamanho do tecido que separa a coxia do palco e…

I called him Morgan

Vi várias vezes a sugestão I called him Morgan no catálogo da Netflix, mas adiei assisti-lo, pois algo me incomodava na descrição do filme. Por um lado, pensei que seria mais um filme que demonizaria a mulher assassina confessa do músico. De outro lado, pensei que o documentário se ocuparia mais do crime e menos…

A arte do diálogo

Toda grande banda merece um filme que conte a sua história, mas é claro que nenhum  filme chegará aos pés do que de fato uma banda como Queen significou para a história da música. Digo isso porque ver o Queen ao vivo mesmo sem Freddie Mercury já foi uma experiência emocionante, única para mim. Algo que…

No princípio era a semente

Olho o pão com manteiga e vejo que o pão com manteiga na mesa não é só o pão com manteiga na mesa. O pão, ao menos o de forma, fora prensado e moldado para se encaixar no suporte da mesa. Mas antes disso, o pão era massa homogênea e farinesca deslizando nos arrolamentos de…

Sobre meninos e lobos

Se Faulkner pudesse assistir à série Fargo, diria o mesmo que já disse em um de seus romances: “as pessoas são as mesmas em toda parte, mas (…) numa cidade pequena, onde o mal é mais difícil de se realizar, onde as oportunidades de privacidade são mais escassas, (…) as pessoas podem inventar mais dele…