Escrever, observar, lamentar (um parênteses gigante neste blog)

Hoje o dia está péssimo e eu nem sei explicar o porquê. Minhas dores nas costas sumiram. Eu não tive sono durante o dia – o que é habitual. O tempo não estava nem muito quente, nem muito frio. Eu lembrei de fazer arroz para o almoço de amanhã (eu sempre tenho fome, mas nunca lembro de fazer comida). O Joaquim está se alimentando do que resta do meu tapete de crochê e, embora me doa muito ver o estrago que está fazendo, fico feliz por ele estar calmo.

Nesses momentos de vazio existencial absoluto, eu me questiono sobre a vida e sobre como eu a tenho levado. Estou aqui assistindo um filme que acho péssimo, mas que sempre me faz pensar – Comer, Rezar, Amar -, e me perguntando como seria legal se eu simplesmente fosse viajar. Sem um plano milimetricamente definido. Só viajar. Pra ajudar, hoje me toquei de que faz quatro anos que não vou à praia. Acho que a falta de um contato maior com a natureza me deixa infeliz…

Não posso me queixar da vida. Estou fazendo uma pós que amo, trabalhando na área que sempre quis, fazendo curso de desenho, como sempre sonhei, e ainda voltei a cantar. E, apesar de meu impulso consumista estar dando as caras por aqui, tenho conseguido viver da maneira que acredito ser correta. Há muito a consertar, claro, mas nem em sonho pretendo buscar a perfeição.

Um dia desses, um amigo me contou a história da Doris Guisse, uma mulher que caiu do oitavo andar, segurando um gato, em cima de telhas de amianto. Daí, ele disse: “tipo de coisa que você faria ficar engraçado”. Eu contestei: “Eu não sou mais engraçada. Sou uma pessoa deprimida”. E antes que ele viesse tentar me ajudar, disse que era brincadeira.

Eu não sei se era brincadeira.