Intervalos consonantes

As pessoas desenvolvem suas obsessões de forma diferente. Eu, quando obcecada por uma melodia, tento ouvi-la todo dia, várias vezes (às vezes isso dura alguns meses ou anos). Mas, faço isso sempre intercalando outras que também são de minha estima e cuja harmonia se assemelham. Esses “intervalos”, nos quais insiro outras músicas pelas quais não estou exatamente obcecada, desencadeiam uma sensação de falta da música que de fato quero ouvir. Não é incomum me esquecer da melodia que é motivo da minha obsessão (pode ser um trecho de uma música, não necessariamente a música inteira) e registrar outros sons que, de tão parecidos, inflamam a necessidade de recuperá-la na memória, porque eu meio que preciso alimentar a obsessão. É uma forma saudável, se é que posso chamar assim, de usufruir da música sem que o excesso me faça enjoar dela. Sou assim com as pessoas também.