Confrontos não foram feitos para serem evitados

Entendo muito bem as pessoas que não querem ou não conseguem ter empatia. É muito mais fácil viver ensimesmado, preocupado apenas consigo (ou com quem você gosta) e completamente alheio ao que pode estar desgraçando a cabeça do outro.

Quando você tem empatia, percebe muito rapidamente a irritação das pessoas e aprende a ler o que as faz agirem de forma obtusa. É justamente a empatia que não permite que você as confronte, mas que procure investir em argumentos racionais e lógicos para que consigam enxergar o que as aflige sem o efeito das emoções. Infelizmente, dado o grau de ranzinzice pelo qual a pessoa está passando, essa racionalidade toda não vai fazer sentido.

Tem dias que eu me surpreendo tentando questionar os motivos pelos quais a pessoa está disposta a se irritar. Em geral, não consigo dissuadi-la disso e ainda percebo uma sugestão de que parte do problema sou eu. A pessoa que está em guerra consigo mesma ou com o mundo não suporta a ideia de que você não entre nessa também. Qual é? Que paz de espírito é essa? Como atingiu esse grau de deboísmo quase desumano porque impossível?

Já saquei que não adianta discutir muito com quem não consegue admitir que está sendo infantil. Porque a raiva, a ira e os sentimentos relacionados têm um quê de infantil. Eles são provenientes de situações que fugiram ao seu controle, do fato de que as pessoas ao seu redor não estão agindo conforme as suas expectativas. Então você tenta fazer a pessoa enxergar outros lados da questão e ela se nega e pode até ficar contra você.

Não raramente, nesses casos, a pessoa adota a famosa postura agressivo-passiva. Ela fala sobre o assunto, como se não se importasse com ele – mas, se não se importasse, não estaria perdendo tempo com isso – e você tem que ajudá-la a lidar emoções que nem ela admite ter.

Você está lá, trocando mensagens com a pessoa, e quase a enxerga enfezada, cerrando os punhos e grunhindo, expelindo um ou dois centímentros de baba no canto da boca. No fim, você que já percebeu os sintomas da desmedida, até que gostaria de fazer alguma coisa pela vítima. Mas, a ira é um sentimento que se retroalimenta.

Convém esperar uns dias para ver se vale a pena insistir em trazer o irado à razão ou se a ira vai se esvair por si mesma em algum momento. Infelizmente, nesse tempo de espera, quem pode não ficar em paz é você.

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